a porta do quarto

fevereiro 17, 2010 at 5:44 pm (Uncategorized)

Fico me pergutando, na maioria das vezes quando a porta do quarto já está fechada, o motivo de fechar a porta. Privacidade, confortou ou mania? Fechar a porta quando a casa está uma verdadeira bagunça, quando todos os eletrodomésticos estão ligados ou o seu pai está assistindo a um filme no qual as pessoas só atiram é normal. Os ouvidos merecem paz interior, também. Quando uma visita chega na sua casa, você fecha a porta para conversar mais relaxada assuntos que quem está lá fora não precisa saber.  Aceitável, também. Fechar a porta quando o celular toca e é alguem que você já beijou na boca. Totalmente aceitável. Mas fechar porta quando se está sozinha, isso mesmo, sozinha, onde você pode aumentar o som na maior altura e no máximo e ser tiver azar o vizinho vai reclamar, é normal?  Não, é mania. Da mesma maneira que se cria a mania de dormir com ou sem pijama é mania de fechar a porta sempre que se entra no quarto. Com a idade, o quarto vai virando uma espécie de casa dentro de casa. Sua mãe começa a mexer menos, começa a perguntar menos  sobre objetos que aparecem na prateleira, começa a aceitar sua bagunça. Chega-se em casa cansado do dia que esgota até a última disposição da alma, tranca-se no quarto e só assim você diz: cheguei em casa. Você tira a roupa sem pudor, joga no chão, deita na cama suado, pega o celular, lê a mensagem que chegou, deixa a mensagem aberta em cima da mesa, tira do bolso da calça as notas ficais do dia, joga na gaveta sem restrição de que alguém vai dar conta de como o seu dinheiro foi usado. Toma banho de porta aberta, passeia pelo quarto sem toalha, vai estudar com os pés levantados na parede.

Tudo é permitido. O quarto de porta fechada é um dos mundos mais confortáveis que se tem. O fato de estar só, longe de olhos questionadores, colabora para isso.

Uma coisa que se percebe, quando se vai morar com alguém, é a divisão do quarto. Duas pessoas começam a dividir um espaço que antes já foi particular. A cama é para dois, o guarda roupa é para dois, o banheiro é para dois, a mesa tem duas cadeiras, dois travesseiros, dois lençois, duas toalhas, tudo duplo. É quase inevitável ter que mostrar tudo o que se está sentindo quando a situação dupla está em vigor. A outra pessoa vai, querendo ou não e de alguma maneira, perceber a maneira como se dorme, como se veste, como se esconde as lágrimas, o tempo que se demora no banheiro. Então, usa-se a sala como refúgio. Um refúgio sem porta, mas pelo menos, solitário quando a outra pessoa decide ir dormir. Usa-se a cozinha para confortar o que está machucando. Sim, comida é um otimo amigo! Preenche todos os nossos vazios no fim do dia.  

A porta fechada também alimenta a imaginação. Quem fica do lado de fora, fica pensando o que está acontecendo  ali dentro. E quer ver curiosidade maior? Imagina a situação:  uma pessoa bate na porta, quem está dentro grita para esperar alguns minutos, a pessoa de fora escuta um barulho de coisa sendo arrumada, guardada e só então quem está dentro abre a porta. Quem está fora fica com uma cara de nada olhando, procurando algo e a pessoa de dentro louca para dizer tchau e fechar aquele pedaço de madeira vedante com trinta voltas de chave.  Ou pior, quem está dentro, abre 5 centímetros de porta e diz: o que foi?, sem ao menos permitir que a pessoa que está fora saiba se você nu ou não. Intrigante, muitoooo intrigante.

Bem, deixa eu ir abrir a porta. O vento precisa circular, eu preciso andar e o você vai imaginar como sua porta funciona depois disso aqui.

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ê, carnaval

fevereiro 17, 2010 at 5:03 pm (Uncategorized)

Tem dias que bate um cansaço das coisas. A vontade que dá é de sair correndo, deixar tudo e ir pra qualquer lugar fora da rotina, longe dos olhos cansados da mesmice. Queria eu, como mágica, ter o poder de viajar fisicamente com a mente, que nem avatar. O corpo está descansado de tanto se encostar pelos cantos, de tanto dormir enquanto o mundo pula e bebe carnaval lá fora. Esse fuxico de carnaval não me conquista. São músicas de ritmo dançante e letra ‘enjoante’. Parece até que a galera que trabalha nas rádios mais populares tão de saco cheio de escolher músicas e soltam o berro no carnaval. É só repetir uma dezena de música milhões de vezes que a geral fica feliz e satisfeita. Não vou me prestar ao serviço de citar exemplos dessas músicas compostas de: refrão inicial, refrão do meio, refrão final – repare bem na igualdade dos refrões. Resumindo, uma palavra dividida silabicamente dá uma música de vinte minutos que toda banda contratada pra animar canta.

É justamente nesses dias despretenciosos que essa minha vontade de sentir algo nunca visto aumenta. Enquanto, meio mundo está pelo mundo, virando a noite, bêbados, beijando incontáveis bocas, gritando, suando em conjunto, rezando por mais uma semana de carnaval, eu estou em casa, agradecendo por já ser terça e aliviada pela rotina estar voltando ao normal daqui poucos dias. Isso não significa que não fiz absolutamente nada e que passei esse período hibernando e com o terço na mão pedindo para essa baderna acabar. Não, não, não. Fiz muita coisa, a diferença é que não tinha multidão, nem gente suada se esfregando em mim e muito menos bocas com gosto de cerveja me lambendo.

Esse ano, diferente dos outros, senti um aperto no coração por estar vendo aquelas maravilhas de samba pela tv. Senti uma vontade incontrolável de estar nas avenidas do samba. É literalmente genial ver tantas pessoas unidas por um objetivo cheio de todo tipo de arte, se encantar com os enredos, cantar os sambas que contagiam, ficar impressionada com o gigantismo das coisas. Se ver pela tv já é de emocionar, imagina lá, achando que vai ficar surda com as batidas das baterias. Nossa! Se os dias que faltam para o próximo carnaval permitir e minha economia de dinheiro continuar regular, próximo ano estarei lá.

Tá dito, só não tá feito. É so questão de tempo.

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Hello world!

fevereiro 17, 2010 at 4:54 pm (Uncategorized)

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